Com uma carreira de mais de 40 novelas e quase 30 peças, depois do piloto Ricardo, da novela “Em Família”, Herson Capri vai encenar “Timon de Atenas”, de Shakespeare no final de outubro. No Teatro dos Quatro, ele e a mulher, Susana Garcia dirigiram a filha, Luisa Capri, em “A fada que tinha ideias”, em cartaz até 29 de julho. Herson Capri fala de TV, da diferença entre interpretar um galã e um vilão e da força do teatro. Ele vai ser pai pela quinta vez e afirma: “um filho é a sensação de não estar só”.

Há 15 anos Herson trabalha junto com a mulher, Susana Garcia, que trocou a medicina pelo teatro. “Já fizemos duas peças infantis, das quais Susana sempre gostava desde criança: ‘A casa da madrinha’, de Lygia Bojunga, e ‘A fada que tinha ideias’, de Fernanda Lopes de Almeida. Achamos que como Luisa já tinha seis anos de Tablado poderia ser a protagonista”, conta Herson.

Pai carinhoso, é comum vê-lo confraternizando com as atrizes e os atores da peça, que conta a história de Clara Luz, uma fada de 10 anos que quer inventar suas próprias mágicas. “Luisa, como todas as atrizes do elenco, é focada, concentrada e tem prazer de estar em cena”, elogia Herson, que começa a ensaiar para a peça no início de agosto. Ele contracenará com Ana Beatriz Nogueira e Tonico Pereira, sob a direção de Bruce Gomlevsky no Teatro Maison de France. 

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“Timon é um homem extremamente generoso, até excessivamente, e as pessoas se aproveitam dessa generosidade, fazendo com que seus atos, por mais generosos que sejam, resultem num vazio. Esse é, em pouquíssimas palavras, um resumo da peça”, conta Herson, que começou fazendo teatro amador em Curitiba.

Ele lembra até hoje de uma aula com Procópio Ferreira, no Colégio Estadual do Paraná, quando tinha 15 anos. “Ele nos ensinou a gargalhar. Disse para nós: ‘agora todo mundo faz ‘Ah!’. E todos comigo: ‘Ah! Ah!’. E ‘Ah! Ah! Ah’, todo mundo começou a gargalhar”, lembra Herson, que chegou a estudar economia na USP (Universidade de São Paulo) sem deixar de fazer teatro na PUC (Pontifícia Universidade Católica).  

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“Teatro não sustenta ninguém e na época resolvi fazer economia na USP, para onde entrei em 1971. Cheguei a trabalhar em corretora mas no terceiro ano joguei tudo para o alto e fui para o teatro”, lembra.

Seus autores preferidos são “Shakespeare, Bertolt Brecht, Molière e Dario Fo. Dario é um autor italiano, anarquista que faz excelentes críticas da sociedade”, diz Herson Capri, que admira e conviveu com grandes nomes como Paulo Autran, Gianfrancesco Guarnieri, Plinio Marcos, Antunes Filho e Flávio Rangel.

“A TV é nosso sustento financeiro e o teatro é nosso respaldo artístico. Para mim o teatro é essencial, é um bálsamo, uma necessidade”, conta o ator, para quem, apesar da queda de audiência por causa da TV fechada, a novela está cada vez melhor.

“Assisti à revolução que foi a novela ‘Beto Rockfeller’, na década de 60, a entrada da comédia na novela, com “Guerra dos sexos”, em 1983, da qual participei, e recentemente ao impacto de “Avenida Brasil”, diz Herson, que adora fazer o vilão. “Faço com alegria. Sem o vilão, sem o conflito, a novela não anda. Só não gosto de repetir o personagem”, afirma o ator, para quem foram marcantes dois personagens: o Coronel Teodoro, de “Renascer”, e Horácio Cortez, de “Insensato Coração”.

Em junho do ano que vem, Herson Capri estará em “Minha mãe é uma peça 2” como o marido da Hermínia, interpretada por Paulo Gustavo. Esse ano, ele vai ser pai pela quinta vez. Ele e Susana esperam Sofia. Com cinco filhos no currículo, Herson acha que educar é uma das tarefas mais difíceis. “A gente fica cheio de dúvidas, consulta os amigos, os psicólogos do plantão. A gente corre atrás, faz questão de ouvir e muitas vezes de acatar. A última palavra é sempre a nossa. Até hoje não sei como agir. Sou afetivo e carinhoso. Filho é uma sensação de não estar só”, diz Herson.

Por Heloisa Marra

Fotos: Divulgação/ TV Globo/ Paulo Belote e Zé Paulo Cardeal